A Série B do Campeonato Brasileiro de 2026 tem tudo para entrar na história como uma das edições mais disputadas, equilibradas e imprevisíveis da última década. Diferente de outras temporadas, a competição não contará com “gigantes nacionais” de torcida massiva como Santos, Vaco, Cruzeiro ou Internacional(que escapou na última rodada do rebaixamento), mas reunirá clubes extremamente tradicionais, com estruturas consolidadas, grandes torcidas regionais e histórico recente de protagonismo.
Esse cenário cria um campeonato nivelado, decidido nos detalhes, onde o favoritismo não garante acesso e cada rodada pode mudar completamente o panorama da tabela.
Um campeonato sem superpotências, mas com muitos candidatos
Um dos principais fatores que tornam a Série B 2026 tão atrativa é a ausência de clubes considerados no “G-12” em termos financeiros e de torcida nacional. Isso não significa falta de qualidade. Pelo contrário: a competição terá diversos clubes médios e apenas um acima na grandeza que é o Sport , todos com reais condições de brigar pelo acesso até as últimas rodadas.
Entre os participantes, clubes como Fortaleza, Sport, Ceará, Goiás, Juventude, Criciúma e Novorizontino surgem como favoritos naturais, seja pelo orçamento, estrutura, tradição ou histórico recente. No entanto, nenhum deles chega com caminho livre. Todos terão que enfrentar viagens longas, estádios hostis e adversários extremamente competitivos.

Fortaleza: favorito pelo orçamento e organização
O Fortaleza tende a iniciar a Série B como um dos principais favoritos ao acesso. Após várias temporadas consecutivas na Série A e participações em competições continentais, o clube cearense deve ter o maior orçamento da competição(cerca de 170 milhões de reais), além de uma estrutura administrativa mais sólida em relação aos concorrentes.

Mesmo com a necessidade de reformulação do elenco e redução da folha salarial, o Fortaleza ainda possui ativos valiosos,uma torcida engajada e um Castelão que deve estar lotado nas últimas rodadas, são fatores que costumam pesar especialmente na reta final do campeonato.
Sport: tradição, torcida e incógnitas administrativas
O Sport Club do Recife entra na Série B 2026 como o clube de maior tradição histórica da competição, considerando títulos nacionais, passagens pela Série A e tamanho de torcida. No entanto, o momento institucional gera dúvidas.

Problemas financeiros, troca de gestão e indefinição administrativa colocam o Sport em um cenário de incerteza. Ainda assim, a força da camisa, a Ilha do Retiro e a torcida numerosa fazem do clube um candidato real ao acesso — desde que haja organização mínima e montagem de um elenco competitivo.
Ceará, Goiás e Juventude: competitividade
Outros clubes que merecem destaque são Ceará, Goiás e Juventude. O Ceará, apesar de cair de forma dramática, mantém uma das maiores torcidas da Série B e costuma ser competitivo na divisão. O Goiás, tradicional frequentador da elite, também aparece como forte candidato, especialmente jogando na Serrinha.
Já o Juventude, com estádio difícil e histórico recente de Série A, tende a ser um adversário duro tanto em casa quanto fora.
Os que “correm por fora” que podem surpreender
Além dos favoritos, a Série B 2026 conta com vários clubes que podem surpreender. Cuiabá, com gestão profissionalizada, costuma fazer campanhas consistentes. América Mineiro e Avaí, mesmo enfrentando dificuldades financeiras em alguns momentos, têm histórico de competitividade e tradição na divisão.
Outro ponto de atenção são os clubes que sobem da Série C. Nos últimos anos, ficou claro que times recém-promovidos podem embalar e brigar pelo acesso imediatamente, como já aconteceu em temporadas recentes. O Vitória subiu sendo campeão em 2023, o Mirassol subiu em 2024, o Remo subiu em 2025, por exemplo.
Nessa temporada subiram 2 velhos conhecidos da série b : O Náutico e a Ponte Preta que são times de tradição e difíceis de serem batidos nos seus respectivos estádios e não podemos descartar na briga pra subir.
Náutico
O Náutico chega para a Série B de 2026 dando sinais claros de planejamento e identidade. O clube pernambucano vem preenchendo bem as lacunas do elenco e montando um time com a chamada “cara da Série B”: competitivo, experiente e funcional. Entre as contratações já realizadas, nomes como Jonas Toró, vindo da Ponte Preta, Reginaldo, lateral-direito contratado junto ao Juventude, Felipe Saraiva, que atuou recentemente pelo Ituano na própria Série B, o ponta-direita Júnior Todynho e o meia Dodô, ambos vindo do Vila Nov e o zagueiro Wanderson mostram uma estratégia focada em atletas acostumados à divisão.

Além da montagem do elenco, outro fator que pode pesar positivamente para o Náutico é a continuidade no comando técnico. O clube segue sob o trabalho de Hélio dos Anjos, treinador experiente, que já está no Náutico há cerca de oito meses e conhece profundamente a realidade do clube. Em 2025, Hélio fez um trabalho consistente, e em 2021 comandou uma das melhores campanhas da história recente do Náutico na Série B, quando o time foi líder por várias rodadas com jogadores como Kieza, Jean Carlos, Camutanga e Wagner Leonardo.
Com elenco em formação, treinador identificado com o clube e tradição na competição, o Náutico surge como um time capaz de surpreender na Série B de 2026, especialmente em um campeonato marcado pelo equilíbrio e pela imprevisibilidade.
Os fatores que serão decisivos : elenco, treinador e o mando de campo
Se existe um elemento que deve definir o acesso em 2026, é o fator casa. Estádios como Castelão, Ilha do Retiro, Ressacada, Alfredo Jaconi e Heriberto Hülse costumam ser decisivos. Em uma Série B equilibrada, vencer em casa e pontuar fora será a diferença entre subir, ficar no meio da tabela ou lutar contra o rebaixamento.
Não há jogos fáceis. Mesmo clubes considerados menores costumam crescer jogando diante de suas torcidas.
Um fator claramente decisivo, além da montagem de um elenco robusto e equilibrado, é a presença de um treinador qualificado e adaptável. Em uma Série B tão nivelada, não basta apenas ter bons titulares; é fundamental contar com um banco de reservas capaz de manter o nível técnico da equipe ao longo da temporada, especialmente em um campeonato longo, desgastante e definido nos detalhes.
O treinador precisa saber ler os diferentes contextos do jogo. Fora de casa, muitas vezes será necessário atuar de forma mais reativa, com organização defensiva, compactação e eficiência nos contra-ataques. Já dentro de casa, onde a pressão da torcida exige resultados, é indispensável assumir o protagonismo, controlar a posse de bola e transformar o favoritismo em vitórias.
Essa capacidade de alternar modelos de jogo, ajustar a equipe de acordo com o adversário e extrair o máximo do elenco é um dos principais diferenciais para quem almeja o acesso à Série A. Em um cenário de extrema competitividade, onde vários clubes brigam ponto a ponto até as últimas rodadas, detalhes como gestão de elenco, leitura tática e regularidade se tornam determinantes.






