A discussão sobre folha salarial na Série B voltou com força após a divulgação de projeções envolvendo clubes como Fortaleza, Ceará e Sport, apontados por muitos como favoritos ao acesso. Mas será que gastar mais significa subir? A resposta, como quase tudo no futebol brasileiro, é: depende.
Neste post, faço uma análise informativa + opinativa, com base em projeções divulgadas pela imprensa, declarações de dirigentes e leitura de contexto esportivo e financeiro — sempre deixando claro: folha não é garantia de sucesso.

📊 As maiores folhas salariais projetadas da Série B
Segundo estimativas amplamente debatidas:
- Fortaleza: cerca de R$ 5 milhões/mês
- Ceará: entre R$ 4,5 milhões/mês
- Sport: entre R$ 3,5 e 4 milhões/mês
- América-MG: cerca de R$ 3 milhões/mês
- Goiás: projeção de R$ 3,5 milhões/mês
- Náutico: cerca de R$ 2,5 milhões/mês
- Juventude e Avaí: projeções surpreendentemente baixas, próximas de R$ 1,2 milhão/mês para o Juventude e 670 mil/mês para o Avaí
⚠️ Importante: são projeções, não números oficiais. Podem variar ao longo da temporada conforme vendas, contratações e ajustes contratuais.
🦁 Fortaleza: o favorito natural?
O Fortaleza surge como o clube com maior capacidade financeira da Série B. Após anos consecutivos na Série A, Libertadores e final de Sul-Americana, o clube acumulou:
- Contratos longos
- Jogadores valorizados
- Estrutura sólida
Por outro lado, o desafio é enorme: reduzir uma folha que girava entre R$ 10 e 11 milhões para algo próximo de R$ 5 milhões. Isso exige vendas importantes e uma reformulação profunda do elenco. Breno Lopes, Lucca Prior, Thomas Pochetino, Herrera, Eros Mancuso, entre outros atletas já estão sendo observados pelo mercado e devem sair ao longo da janela de transferências.
👉 Opinião: mesmo com riscos, o Fortaleza é o principal favorito ao acesso hoje, sobretudo pela gestão, estrutura e ativos negociáveis.
⚫ Ceará: equilíbrio e competitividade
O Ceará não fez investimentos milionários recentes como o Sport, nem inflou sua folha de forma descontrolada. O clube:
- Trabalha com contratos mais curtos
- Tem margem para reformulação
- Apostou em um treinador competitivo (Mozart)
Mesmo com saída de peças importantes, o Ceará tende a montar um elenco brigador e organizado, perfil clássico de quem disputa acesso.
👉 Opinião: o Ceará deve ser competitivo até a última rodada, com boas chances de brigar pelo G4.
🔴 Sport: folha alta, problema maior
O Sport é um caso à parte. A projeção de folha entre R$ 3,5 e 4 milhões esbarra em um problema sério: contratos longos e caros, herdados de uma gestão anterior. Além disso, o clube se apresenta numa situação periclitante financeiramente, pois teve que adiantar cotas de R$ 5 milhões de direitos de transmissão junto à LFU,R$ 5 milhões junto à nova ticketeira do clube, dando como garantia 50% da bilheteria até quitar o empréstimo,R$ 24,4 milhões referentes ao restante da venda do lateral Pedro Lima.
Em resumo: TORROU dinheiro, foi rebaixado e comprometeu o orçamento do ano seguinte. Ainda assim deixou em atraso 3 meses de direitos de imagem dos atleta, 13º e alguns meses de FGTS.
Só dois jogadores — Sérgio Oliveira e Lucas Lima — já ultrapassam, juntos, a folha inteira de clubes como Avaí e Juventude.
A diretoria atual terá que:
- Reduzir salários
- Emprestar ou vender atletas
- Apostar na base
- Acertar em cheio no treinador
👉 Opinião: o Sport pode subir, mas hoje é o mais imprevisível entre os grandes. Tudo depende de gestão, escolhas técnicas e vendas estratégicas.
⚪ Náutico: organização e competitividade como trunfos
O Náutico aparece em um patamar intermediário nas projeções, com uma folha estimada em torno de R$ 2,5 milhões mensais. Para um clube que acaba de subir da Série C, é um valor considerável e demonstra uma postura mais agressiva do que em temporadas anteriores.
Na Série C, o Timbu trabalhava com algo entre R$ 1,2 e 1,3 milhão, e a dobra desse investimento na Série B é um movimento natural para buscar competitividade. O clube reforçou o elenco com jogadores já adaptados à divisão, como Dodô, Júnior Todinho, Juninho, Jonas Toró e Reginaldo, atletas que dificilmente recebem salários baixos no mercado atual.
Além disso, o Náutico aposta em:
- Elenco experiente em Série B
- Base mantida do acesso
- Estrutura organizacional mais estável
- Folha compatível com a realidade do clube
👉 Opinião: o Náutico não entra como favorito ao acesso, mas também está longe de ser apenas figurante. Com organização, pagamento em dia e um bom encaixe coletivo, o Timbu tem condições reais de fazer uma campanha sólida e flertar com a parte de cima da tabela.
🔄 Clubes sem folha divulgada, mas fortes na briga
Nem todos os clubes da Série B tiveram folha salarial ou previsão orçamentária divulgadas. Isso, porém, não significa ausência de competitividade. Muito pelo contrário.
Alguns exemplos claros:
- Novorizontino: vem batendo na trave do acesso nas últimas duas ou três temporadas, sempre com elencos organizados, competitivos e muito bem montados. Mesmo sem números oficiais de folha, é consenso que será um dos times mais difíceis de enfrentar.
- Atlético-GO: mesmo sem divulgar projeção orçamentária, é outro clube que naturalmente entra forte na disputa. Tem histórico recente de Série A, estrutura, elenco cascudo e costuma competir bem em campeonatos longos.
🤔 Folha salarial sobe campeonato?
A história recente mostra que não.
- O Sport gastou mais de R$ 60 milhões na Série A e terminou com uma das piores campanhas da história.
- O Goiás teve custo mensal próximo de R$ 7 milhões e não conseguiu subir.
- Clubes com folhas menores frequentemente chegam fortes ao G4 pela organização.
📌 Folha é ferramenta, não garantia.
O que realmente pesa:
- Treinador competente
- Elenco equilibrado
- Ambiente político estável
- Pagamento em dia
- Planejamento ao longo do ano
🔍 Conclusão: quem são os favoritos ao acesso?
📌 Hoje, olhando apenas o cenário atual:
1️⃣ Fortaleza – favorito natural
2️⃣ Ceará – muito competitivo
3️⃣ Sport – tem potencial ,mas risco alto
👉 Opinião: em termos de favoritismo claro, hoje apenas o Fortaleza se destaca. Todos os outros clubes estão inseridos em uma verdadeira briga de foice no escuro, marcada por alto grau de imprevisibilidade e mudanças constantes de cenário ao longo da temporada.
💬 E você, acha que folha salarial ainda define quem sobe? Ou organização pesa mais?
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