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Crise antes da posse: o caso Léo Condé expõe falhas iniciais da nova gestão do Sport

A eleição de um novo presidente costuma representar esperança, renovação e a promessa de dias melhores. No Sport Club do Recife, no entanto, a gestão de Mateus Solto Maior ainda nem começou oficialmente — a posse ocorre no dia 19 — e já enfrenta sua primeira crise institucional. O episódio envolvendo o técnico Léo Condé levantou dúvidas, desconfiança e um alerta importante para o torcedor: comunicação e gestão não podem falhar logo na largada.

O que foi anunciado após a eleição

Minutos depois da confirmação do resultado eleitoral, membros da nova diretoria concederam entrevistas afirmando que o Sport já estaria “apalavrado” com Léo Condé para assumir o comando técnico em 2026. A informação ganhou força rapidamente, foi repercutida por veículos relevantes da imprensa esportiva e criou uma expectativa imediata na torcida rubro-negra.

No futebol, a expressão “apalavrado” costuma indicar que as partes já alinharam pontos essenciais: projeto esportivo, salário, tempo de contrato e que a assinatura é apenas uma formalidade. Por isso, o anúncio gerou a sensação de que o planejamento do Sport estava adiantado.

O desmentido que mudou tudo

Pouco tempo depois, o cenário mudou completamente. Léo Condé divulgou uma nota oficial afirmando que não havia qualquer negociação em andamento com o Sport, nem mesmo conversas iniciais sobre salário ou contrato. Segundo o treinador, a manifestação pública foi necessária para preservar a transparência e evitar interpretações equivocadas.

Esse desmentido criou um choque direto de versões. De um lado, dirigentes afirmando que havia um acordo encaminhado. Do outro, o profissional negando qualquer tratativa. O resultado foi imediato: desgaste público e perda de credibilidade antes mesmo do início formal do mandato.

Erro de comunicação ou falha de gestão?

Após horas de silêncio, Mateus Solto Maior se pronunciou, explicando que houve um erro de comunicação. Segundo o presidente eleito, os contatos ocorreram apenas com interlocutores ligados ao treinador, sem que questões financeiras fossem discutidas.

A justificativa, no entanto, abriu novos questionamentos. Em um clube do tamanho do Sport, anunciar um “acerto” sem contato direto com o treinador soa, no mínimo, precipitado. No futebol profissional, intermediários existem, mas decisões estratégicas exigem validação direta, especialmente quando o nome é divulgado publicamente.

Aqui surge o ponto central da crítica: a inexperiência. Não se trata de acusar má-fé, mas de reconhecer que a condução do processo foi inadequada para o peso institucional do cargo.

A sombra do passado recente

O torcedor do Sport carrega um histórico recente de frustrações. A gestão anterior ficou marcada por promessas não cumpridas, versões contraditórias e problemas financeiros que vieram à tona após negativas públicas. Por isso, a torcida esperava que a nova administração adotasse uma postura diferente desde o primeiro dia.

O episódio com Léo Condé reacendeu um trauma coletivo: o medo de que a transparência prometida na campanha fique apenas no discurso. Quando a primeira grande informação divulgada é desmentida publicamente, a confiança sofre um abalo imediato.

Planejamento atrasado e pressão crescente

Além da crise de comunicação, o Sport vive um problema prático: o atraso no planejamento para 2026. Enquanto concorrentes da Série B já anunciam treinadores e reforços, o clube segue sem comando técnico definido e com indefinições no elenco.

Cada dia perdido no mercado pesa. O Sport não é apenas mais um participante da Série B; é um clube que entra pressionado pela obrigação de acesso. Planejamento tardio costuma custar caro, tanto esportiva quanto financeiramente.

Mercado da bola e decisões estratégicas

Em meio à turbulência política, surgiram informações sobre o interesse do Mirassol no volante Fábio Matheus, formado na base do Sport e com bom desempenho recente. O clube pernambucano, corretamente, descartou um novo empréstimo e sinalizou que só aceita uma venda definitiva.

A postura indica um ponto positivo: valorizar ativos do próprio elenco. Em uma Série B longa e desgastante, manter jogadores que conhecem o clube e desejam ficar pode ser tão importante quanto contratar nomes de impacto.

Um começo que exige correção imediata

O caso Léo Condé não define, sozinho, o futuro da gestão Mateus Solto Maior. No entanto, ele funciona como um alerta precoce. A presidência do Sport exige precisão, responsabilidade e, acima de tudo, clareza na comunicação.

O torcedor não espera perfeição, mas espera coerência. Erros vão acontecer. A diferença entre uma gestão bem-sucedida e uma frustrante está na capacidade de reconhecer falhas, corrigir rotas rapidamente e respeitar a inteligência de quem acompanha o clube diariamente.

A posse ainda não aconteceu, mas a cobrança já começou. E no Sport, como a própria história ensina, confiança não se pede — se constrói.

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